vence quem convence

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Descobri outro dia que a frase vence quem convence é mais que mero jogo de palavras, que em convencer está, etimologicamente, a preposição com e o verbo vencer e que, portanto, convencer significa, em certo sentido, vencer junto. Digo isso tudo sem me convencer de que, no convencimento, não existe uma espécie de persuasão por uma espécie de imposição. Lembro ainda de ter visto, no vidro traseiro de um automóvel, um decalque bem humorado que dizia: Não me siga: eu também estou perdido. Isso ainda me lembra de quando você desce do avião e, sem saber onde fica exatamente a esteira onde retirar sua bagagem, segue os passageiros que estão andando na sua frente, supondo que é mais difícil uma multidão estar errada, sendo você um só.

Isso tudo ainda me lembra do episódio em que o poeta Cacaso, tendo entregue um de seus livros ao espirituoso deputado Ulysses Guimarães, este sorriu e o chamou ao ler a poestesia: unidos perderemos, em contraponto involuntário ao que disse Leminski: distraídos venceremos. Unidos em um canto dissonante, dissonando num canto desunido, não dá pra defender que cada qual fique no seu canto, e tão só.

Aos torcedores do contra, resta contrariar a torcida; mas a que preço ou a preço de quê? Errare humanum est; pero acertare tambien! Entre erros e acertos fica o enterro de uns tantos pretensos tensionados. Intenções e intensões não são meras escolhas do arbítrio humano, nem tão livre assim. Resta, pois, o que resta: alinhar-se aos que se alinham e derrubar o anarquista “hay gobierno, soy contra”. Afinal, como já se disse alhures, o pior regime de governo é a democracia, excetuando-se todos os demais, e a democracia é a ditadura da maioria. Tenho dito.

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