tecnoética

Não é de hoje que se questiona a relação entre o desenvolvimento tecnológico e as implicações éticas aí implícitas. Sabe-se, também, que o desenvolvimento moral do homem não acompanha o frenético ritmo dos avanços tecnológicos do próprio homem. E seria muito fácil passar ao largo dessas questões na suposição de que se trata de avaliações que cabem ao futuro resolver. Mas não.

Outro dia, em sala de aula, o assunto em pauta eram os veículos autônomos, quer dizer, dos automóveis comandados pela chamada Inteligência Artificial, termo inadequado e que está sendo substituído por outro não tão inadequado, qual seja, Computação Cognitiva. A questão que se propunha era o “arbítrio” do automóvel na tomada de decisão entre escolher atropelar este ou aquele cidadão, decisão essa que estaria subordinada a qual critério. E ocorreu-nos que o tal arbítrio não seria (não será…?) tão arbitrário, desde que, em certo sentido, ele já acontece: avaliações de mérito e demérito, culpabilidade e inocência, classe social, formação e escolaridade, poder aquisitivo ou de consumo, e questões que felizmente estão sendo superadas: sexo, gênero, raça, etnia, crenças religiosas e outras que tais.

O que nos parece, com certo calafrio, é que os milhões de câmeras onipresentes e a inteligência artificial identificarão e decidirão, levando em consideração critérios que a empoderada hipocrisia vigente finge não existirem. Lembro aí de uns tantos sequestros de pessoas cujo prestígio, poder econômico, empoderamento midiático decorrentes aí de uns tantos fatores algo escassos no geral da população, sequestros esses que foram rapidamente resolvidos, atendidas exigências (ia dizer reivindicações) dos sequestradores.

Como se diz, quem viver verá, e imagino que muito do que hoje se considera certo amanhã errado considerado será, a imitar o modus dicendi do impagável Yoda.

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