pirar para (não)(res)pirar

A questão que se impõe é, algo giriátrica e geriátrica, “qual é a pira”? Muitas são; poucas, sãs.

Já tive oportunidade de escrever (ia dizer dizer) que o poeta sofre de pareidolia verbal, i.e., consegue enxergar (na realidade, ver) palavras embaixo das palavras, o famoso “mot sur mot”. Assim, consigo ler em respirar “res-pirar”, de onde uma latinização talvez legitimasse entendermos “res = coisa”, de onde respirar poderia ser lido como “pirar com as coisas”.

Bem, estando ou não estando bem as coisas como bem estão (ao digitar, entreli: “bestão”), há que nos rendermos à inexorabilidade das coisas, e essa repetição do substantivo coisas pretende presentificar a coisificação a que estamos todos sujeitos e somos (quase) todos sujeitantes.

Mas a ideia deste artigo ocorreu quando um amigo com quem entretenho diárias tertúlias, algo perplexo com algo, exclamou em tom de desabafo: regras para respirar. E agora mesmo ajustei o título, grafando-o como o fiz acima, pelo simples acréscimo do advérbio de negação hifenizado e entre parênteses (não-).

A questão é a cegueira que nos querem impor sobre a cegueira que se nos impõe a condição de humanas criaturas. Superável ou não, tratar-se-ia de uma condição inata? Em nosso auxílio vem Houaiss que, no adjetivo inato, registra:

Rubrica: filosofia. no cartesianismo, que se origina da mente, sem qualquer mescla com a experiência sensível nem influência da imaginação criadora (diz-se de ideia);

Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: filosofia. na filosofia moderna, que tem sua origem em ou deriva de ou é inerente à mente ou à constituição do intelecto, em lugar de ser adquirido com a experiência.

Finalizando, o ponto e vírgula último e o ponto final derradeiro tivemos de acrescentá-los, a seguir alguma regra que alguém já terá formulado algures e alhures.

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