amorodio

ODIOAMOR

A maior prova de que o ódio faz parte do amor está em que há pessoas que nem o nosso ódio merecem. E há pessoas que amamos odiar, e outras que odiamos amar. Pode…? Pois é, pode. Feliz e/ou infelizmente. A verdade é que nem sempre a felicidade está do nosso lado, nem a gente do lado dela. Pode estar com a outra pessoa, ou esta do lado daquela. A verdade é que a felicidade por carona pode te deixar a pé em qualquer esquina da vida. E nem sempre você está com o calçado ideal para continuar a caminhar sozinho. É quando você descobre que o calçado era emprestado, da outra pessoa. O seu você deixou guardado quando nem sabia que a vida ávida podia um dia te roubar. Por isso caminhou, doído e doido, meio a esmo, mas caminhou assim mesmo.

Daí também perceber que a tua felicidade é só tua, só depende de você, e de um pote de sorvete. Ah, e do universo, que não quer perder ninguém, nem você. Solidão cósmica. O universo como o grande Outro em cuja outridade você precisa mergulhar, experienciar, se fundir. Dizem. Eu medito, me dito e acredito. A questão é que a nossa pequenez se torna mais pequena, e o universo ama os pequenos. Se assim não fosse, todos estaríamos na fossa, abissal, colossal, infernal. Ainda bem que… Que o quê?! Sei lá, meu, entende…?…!

Mas voltando ao simplismo do óbvio, óbvio é que, como se diz, ninguém chuta um cão morto. Também não é por ele atacado. Se vivo, acatado. Amor e ódio se completam, se complementam, formam um todo, se todam. São modalidades diferentes da mesma modalidade. Daí se entende porque, com frequência, um se torna o outro e o outro se torna o um, quando um e ou outro se desvestem de si mesmos. Se há o tal do amor incondicional, eu não sei; mas que o condicional condiciona o cio e, então, se torna ciúme, ah, isso é muito… muito… muito sei lá cio o quê… tão cioso, ocioso, malicioso, contencioso, gracioso, devocional, …, … Oremos, irmãos (e irmãs)…