mulher caminho melhor

Com mulher você nunca tem razão; principalmente quando tem: aí é que não tem mesmo! Isso porque a mulher, diria Shakespeare, tem razões que a própria razão desconhece. A estonteante inteligência emocional isso explica. Quer dizer, pensar com o coração, não sentir com a cabeça. E o coração feminino tudo conhece; e a cabeça lhes dá a extraordinária capacidade de pensar cinquenta coisas ao mesmo tempo. Só que de modo coordenado, não subordinado. Diz o pessoal da área que isso se deve ao fato de que a mulher, quando pensa, usa os dois hemisférios cerebrais, enquanto o pobre do hohem só consegue usar um. Assim, a mulher consegue enxergar coisas que o homem só vislumbra ao longe, estabelece ilações que estão bem além (ou aquém…?) da capacidade masculina. E isso lhes dá uma grande virtude: pensam demais; e também um grande defeito: pensam demais. Eu hoje tenho dúvida se a questão aí da virtude ou defeito é mesmo uma questão de ocasião, quer dizer, pensar muito quando deve e pensar muito quando não deve. E o homem fica meio perdido quando a mulher o interroga, com certo olhar de inquisição, e lhe dispara a fatal pergunta: o que você quis dizer com isso?!

Essa capacidade de verdadeira pensação dá à mulher a capacidade de quase-ação, quer dizer, a mulher melhoriza as coisas. Explicando: melhorizar é um ensaio para melhorar,  ensaio que fica ali nos bastidores da intenção mas nem sempre consegue ser convertido em espetáculo. Conseguindo pensar em cinquenta coisas ao mesmo tempo, consegue ela estabelecer ilações e relações que estão aquém (ou além…?) da tênue obviedade masculina. Às vezes muito alequém ou aquelém, além-mar ou aquém-lar. E com isso consegue ela provar que o homem é uma necessidade desnecessária. De suas duas únicas funções até há pouco havidas, só resta uma, e não por muito tempo: gerar prole. A outra já era, e desnecessário é enunciá-la, já que o mercado de trabalho está começando a atentar para as suas competências até então camufladas pela assoberbante cosmovisão da prevalente falocracia, em que o arrogante governo do falo cada vez mais cede lugar ao elegante governo da fala.

E então eu olho para mim, e tremo, vendo meu vulto que desaparece na extrema curva do caminho extremo (obrigado Olavo).

tecnoética

Não é de hoje que se questiona a relação entre o desenvolvimento tecnológico e as implicações éticas aí implícitas. Sabe-se, também, que o desenvolvimento moral do homem não acompanha o frenético ritmo dos avanços tecnológicos do próprio homem. E seria muito fácil passar ao largo dessas questões na suposição de que se trata de avaliações que cabem ao futuro resolver. Mas não.

Outro dia, em sala de aula, o assunto em pauta eram os veículos autônomos, quer dizer, dos automóveis comandados pela chamada Inteligência Artificial, termo inadequado e que está sendo substituído por outro não tão inadequado, qual seja, Computação Cognitiva. A questão que se propunha era o “arbítrio” do automóvel na tomada de decisão entre escolher atropelar este ou aquele cidadão, decisão essa que estaria subordinada a qual critério. E ocorreu-nos que o tal arbítrio não seria (não será…?) tão arbitrário, desde que, em certo sentido, ele já acontece: avaliações de mérito e demérito, culpabilidade e inocência, classe social, formação e escolaridade, poder aquisitivo ou de consumo, e questões que felizmente estão sendo superadas: sexo, gênero, raça, etnia, crenças religiosas e outras que tais.

O que nos parece, com certo calafrio, é que os milhões de câmeras onipresentes e a inteligência artificial identificarão e decidirão, levando em consideração critérios que a empoderada hipocrisia vigente finge não existirem. Lembro aí de uns tantos sequestros de pessoas cujo prestígio, poder econômico, empoderamento midiático decorrentes aí de uns tantos fatores algo escassos no geral da população, sequestros esses que foram rapidamente resolvidos, atendidas exigências (ia dizer reivindicações) dos sequestradores.

Como se diz, quem viver verá, e imagino que muito do que hoje se considera certo amanhã errado considerado será, a imitar o modus dicendi do impagável Yoda.

poemeto

hoje, só uns poemínimos

ao vê-la

a Bruna

minha vela

enfuna

.-.-

falácia do cio

cioso da fala

balbucio

entre o falo e a fala

.-.-.

tanta paz

tanto faz

se o canto

encanto não faz

.-.-

se ela no olho me olha, me molha

de pouco um tudo; de louco, um mudo; de rouco, um surdo;

mãos amigas se paradas sempre unidas

sob o branco de minha unha, a formiga fornica e não me acabrunha.

É definitivo: Se o amor me define, nada há que me definhe.

Chorei, chorei, até o choro me tornar rei.

.-.-

se

ando

desnudo

tudo que quero

meu amor vestido

em alguém que aquém

me veste e vista de amar além